A metamorfose materna

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Há muitas luas atrás eu levava o maior susto da vida. Sem planejar e sem esperar, um pedaço de papel com um monte de números mudava a minha vida para sempre. Eu ia ser MÃE.
Se você pensar pelo lado fisiológico da coisa, vai constatar o mesmo que eu: gestar é algo surreal. Um cotoco de gente sugando suas energias para ter a chance de vir ao mundo.
Aí você passa a ler um sem número de textos te falando que você ama seu bebê desde o positivo, blá blá blá…naquelas semanas iniciais eu só pensava que lá dentro tinha um processo simbiótico acontecendo e que eu tinha que aprender em tempo recorde como lidar com aquilo tudo.
Acho que por isso a gestação leva tanto tempo. Não é só o percurso evolutivo pro bebê, mas pra gente também.
São 40 semanas de transformação física, social e emocional. Uma metamorfose, sem dúvida.
Se você me perguntar em que momento eu tive certeza do amor que crescia junto com aquele parasitinha na barriga, acho que eu te direi que foi com o primeiro movimento que senti dele. Foi quando tudo deixou de ser números pra se tornar realidade. Tava ali, era perceptível. Tinha coração e a energia de uma rainha de bateria!
Então ele nasceu e ainda que todo meu desejo fosse DORMIR, aquele rosto inocente e aquele cheiro eram inebriantes. Zilhões de pessoas no mundo, mas aquela era a mais importante. Lugares que nunca vi, passeios mágicos, vida lá fora: mas era ali naquele mísero metro quadrado que eu queria estar.
A maternidade transforma até a mais egoísta das mulheres (eu, inclusive). Não sei que mágica é essa que te faz depender da felicidade daquele projeto de gente para ter paz na vida.
Foi assim na primeira, foi assim na segunda vez.
Hoje me peguei pensando em quem eu seria se eles não existissem. Tentei fazer esse projeto mental muitas, muitas vezes. Andei em círculos, era inútil. Aonde eu me projetasse haveria essas duas mãozinhas segurando as minhas.
A sensação é a de que eu sempre fui mãe deles. Eles é que esperaram pra nascer.

 

 

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