Base Negra Rosa – a representatividade que me importa

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Talvez eu seja um pouco chata, mas embora eu ache bacana e necessário ver rostos negros estampados em propagandas, eu sempre me pergunto se a empresa tem valorizado seus profissionais negros e se além daqueles rostos que podemos ver nas propagandas, os nossos se encontram em uma variedade de cargos naquela empresa.

Quando soube que a Rosangela José lançaria uma linha de bases para peles negras, além da felicidade por ser amiga pessoal, me veio um turbilhão de emoções ao pensar que Rosa, mulher negra, que durante tanto tempo ajudou mulheres negras a compreenderem e amarem sua própria beleza, estava ali, produzindo algo para outras mulheres negras como ela.

Pode parecer superficial, mas muitas de nós já se sentiu psicologicamente frágil por não se achar esteticamente adequada. O mercado que hoje se vangloria por criar meia dúzia de produtos voltados para nós, não tem noção de quanta sensação de inferioridade nos causaram. Olhar uma prateleira de bases era como não existir. Ou a gente saía com um tom que não era o nosso ou nos convencíamos de que não gostávamos de nos maquiar. Quantas vezes já não ouvimos de vendedoras: “ainda bem que você não precisa desses produtos,sua pele é linda, é ótima!”. Nós realmente não PRECISAMOS, ninguém precisa, mas ainda queremos ter direito a opção.

Enfim, este texto não é uma resenha, mas cabe dizer que o tom mais escuro da base, contempla peles que são mais retintas, geralmente as mais esquecidas mesmo quando se fala em bases para pele negra. Fora que, quando lançam esses produtos, eles são absurdamente mais caros, por exemplo, quando dizem que a Avon lançou uma linha que tem tons mais escuros, você pode ter certeza que não vai ser na color trend, que é a linha mais barata da marca. Negra Rosa Beleza, mesmo ainda sendo uma empresa de pequeno porte, buscou fazer a base com o preço mais acessível possível.

Quando vi o produto finalizado e fotografei, emprestando meu rosto pra uma das cores da base, eu só consegui pensar em como é sensacional usar um produto em que todo seu processo foi pensado para mim, para você. Quando a nossa dor vira luta e encontramos meios de abraçar os nossos por meio de nossas conquistas, conseguimos mudar um pouco da nossa realidade e gerar impactos positivos ao nosso redor.

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Existimos e não vamos esperar convites para mostrar que estamos aqui.

 

Bruna de Paula

Mulher preta, feminista, black power. Faz parte da equipe de organização do Encrespa Geral Rio de Janeiro. É pedagoga e poetisa.

“Escrever é que o me move e é assim que quero mover o mundo.”

 

Sobre o autor

Eliane Serafim

Eliane Serafim é mulher negra, terapeuta capilar (Cabelo e Bem Estar), empreendedora social e criadora do Encrespa Geral, criadora e administradora da comunidade e grupo Amigas Cacheadas no Facebook.

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